Preconceitos dos Jornalistas Com o Trabalho Com Marcas e Marketing

preconceitos dos jornalistas

Os preconceitos dos Jornalistas quanto aos trabalhos digitais, principalmente o jornalismo de marcas e marketing de conteúdo é uma realidade. Muitos jornalistas e autores acham que esses trabalhos são inferiores.

Começo com uma frase que ilustra bem os preconceitos dos jornalistas. E a ouvi de um aluno, jornalista, do meu curso de Marketing de Conteúdo.

Conteúdo de marca e apresentação de produtos é coisa de influenciador.

Primeiramente, se partirmos do ponto de vista acadêmico, os preconceitos dos jornalistas são reações perfeitamente razoáveis. Afinal, a diferença na forma de trabalhar é tão grande, que a resistência ao novo condiciona a opinião.

Agora, reafirmando o que falei na 1ª parte, quero desmistificar essa percepção. Jabá é sinal de mau marketing. É tão errado como confundir publicidade digital com marketing digital.

Indicar algo ou alguém em que(m) você acredita é respaldo. Indicar algo apenas pelo dinheiro sempre soa como os programas das tardes na TV aberta:

“Deve ser terrível perder o emprego na véspera do Natal, né? Agora, eu garanto que, se na próxima entrevista de trabalho você usar o Shampoo Anti-Pontas-Duplas Single Ends, você vai conseguir uma nova colocação! Não sabe o que fazer com o seguro-desemprego? Invista em você!”

Há muita distância entre respaldo, merchandising e cretinice… Vejamos se os preconceitos dos jornalistas são respaldados pela razão.

O Passado e o Presente do Jornalismo

Eu acho que realmente já houve um tempo em que o jornalismo foi exercido como um sacerdócio. Ética e o profissionalismo prevaleciam sobre opiniões pessoais, lados, tendências políticas e tudo mais.

Infelizmente, hoje, em época de polarização, vieses, tendências e exageros são parte real da produção jornalística. Quando a produção ficou concentrada na mão conglomerados gigantescos, motivos outros que não os basilares começaram a ter participação direta ou indireta na no trabalho jornalístico.

Diretamente, jornalistas começaram a escolher as corporações para as quais trabalhariam por afinidade de posicionamento ou a serem escolhidos por elas por esta mesma análise.

Indiretamente, a tendência ocorre quando outros trabalhos desses conglomerados focam na parte do jornalismo que corrobora com o seu posicionamento ou lado. O jornalismo não é tendencioso, mas a sua apresentação é.

Hoje, as gigantes da mídia têm lado, diretores executivos participam na escolha da pauta de assuntos, escolhem publicações para oferecerem anúncios de forma contextualizada e modelam roteiros de programas e séries para demonstrar antagonismo político. Assim, a produção jornalística atual já segue interesses corporativos.

Dessa forma, grande parte do jornalismo apresentado pelos grandes conglomerados já é jornalismo de marca. Isso é real, ainda que, por vezes, não tenha sido produzido com essa intenção.

Como os jornalistas e escritores são pessoas que trabalham com análise e produção de informação, normalmente eles já se aperceberam dessa realidade e encaram essa situação como um caminho sem volta.

Afinal, o Que Jornalistas Consideram do Trabalho Com Marcas e Marketing de Conteúdo?

Voltando ao texto que originou esta série, A Ascensão dos Jornalistas de marca no Reino Unido, trato, agora, da parte que apresenta a opinião de profissionais que fizeram a migração para o trabalho como jornalista de marcas ou jornalismo para marcas.

As opiniões têm características diametralmente opostas. Parte segue os preconceitos dos jornalistas e dizem que muitos colegas de trabalho se venderam para as corporações, e que estes consideram que precisam superar restrições éticas para se disporem a ser jornalistas de marca.

Outra parte diz que consideram essa visão cínica e acreditam que as marcas vêm produzindo material de qualidade relevante e crível. E que a qualidade tem o mesmo nível do produzido pela mídia tradicional, principalmente nas áreas de esporte e moda.

Já falei do trabalho da Red Bull Media que, por exemplo, é uma agência respeitadíssima na produção de conteúdo esportivo. Nesta parte, falei de o trabalho jornalístico para as grandes corporações produzem conteúdo para atingir objetivos corporativos.

A ideia não é criar uma treta, mas trazer para a luz percepções antagônicas que são vividas não apenas pelos profissionais do conteúdo, como também por quem consome conteúdo.

O porquê da mudança

Como já disse, é uma mudança complexa.

É impossível negar a revolução que a Internet causou em tudo, e especialmente em certas indústrias. As indústrias tradicionais, ligadas à produção de conteúdo, são algumas das afetadas de forma muito peculiar. Assim, é normal que as reações sejam exacerbadas e que haja preconceitos por parte dos jornalistas.

Quanto ao fator satisfação na carreira, o resultado é praticamente dividido:

  • 52% estão felizes,
  • 27% não estão e
  • 21% não têm uma opinião formada, o que tende para o negativo.

Para a pergunta sobre se o jornalista para marcas pode ser considerado um trabalho tão sério como o jornalismo tradicional, as respostas foram meio a meio, sim e não.

Por fim, mais de 70% consideram que em 5 anos o jornalismo para marcas será um trabalho tão comum como é o jornalismo para as mídias tradicionais.

Não seria o curso de jornalismo a origem dos problemas?

Não quero que pareça que estou fazendo terrorismo, mas acho que tudo passa por mudanças no curso de Jornalismo, a começar pelo nome.

Acho que sou bom com nomes, comprei MarketingDigital.com.br quando essa indústria ainda não tinha esse nome. Já tive e tenho centenas de domínios que comprei ao longo do tempo e alguns, hoje, são nomes de indústrias.

Assim, arrisco dizer que o nome do curso passará de Jornalismo para “Curso Superior de Conteúdo”. Os jornais estão em fim de história e as possibilidades da oferta de conteúdo são tantas que não haverá um formato que manterá algum tipo de protagonismo. Pode fazer uma busca por “Curso Superior de Conteúdo” e você verá que nunca se falou disso. Será que vou emplacar uma nova denominação?

Se as novas tecnologias nos mostraram alguma coisa é que tradição é, hoje, sinal de atraso. Note que não me refiro a princípios, mas àquela coisa do sempre fizemos assim, então, assim continuaremos. Percebo em certas conversas que tenho com jornalistas, publicitários e outros profissionais, cujas indústrias estão em ebulição, um estranho apego ao passado, mesmo que isso represente um futuro sombrio. Não sou daqueles que prefere estar certo a que as coisas deem certo, mas confesso que me pergunto, muitas vezes, nessas conversas: Caraca, o cara tem 30 e poucos anos e eu sou o velho nessa conversa? Ah, tenho, quando escrevo isso, 56 anos e lancei a MarketingDigital.com.br aos 48.

O que é maior, a diferença conceitual ou os preconceitos dos jornalistas?

A proposta do Marketing de Conteúdo é fácil de ser assimilada. Ela é de entregar valor, educar, auxiliar, abrir discussões. Sim, você irá monetizar a confiança conquistada, mas se espera que você tenha algo de qualidade para oferecer. A expectativa é de se fazer um trabalho bacana, competente, para vender algo também de valor.

Agora, não é sempre assim? Afinal, TV, jornais e revistas também têm anúncios, só não necessariamente contextuais ao conteúdo que apresentam. Não seria isso o motivo da turbulência da publicidade?

Imagino que você se sentiria tão mal trabalhando como conteudista para um produto ou serviço ruim, como para um conglomerado de comunicação que lhe obrigasse a produzir com viés ou que usasse seu conteúdo de forma tendenciosa.

Orgulhar-se do conteúdo que você faz é condição sine qua non para qualquer produtor de conteúdo. Jornalistas, escritores e profissionais de Marketing de Conteúdo, seus trabalhos são muito mais próximos do que imaginam. Os valores dos bons profissionais, pelo menos, são idênticos.

Eu, que lido com Marketing de Conteúdo, tenho recebido contatos de jornalistas e autores em busca de trabalho, pois as mídias tradicionais estão em um momento complexo.

Contudo, se você tem a capacidade de produzir conteúdos que informem, auxiliem, inspirem e encantem as pessoas, tenho a sensação de que você terá em seu futuro a produção de conteúdos para marketing ou para marcas. E isso pode ser uma mudança muito boa em sua vida profissional.

Espero que de alguma forma você supere os preconceitos dos jornalistas e se convença que o jornalismo para marcas e o marketing de conteúdo são boas alternativas para você, jornalista ou escritor. Ainda assim, há mais números e informações para fazê-lo aceitar essa ideia.

Vamos ver?

Co-fundador da MarketingDigital.com.br, Alex Moraes é especialista em Marketing Digital. Após diversas conquistas na prestação de serviços na agência digital de seu irmão, o designer Anderson Moraes, mudou o foco da empresa, a Clicktime Marketing e Design, para a educação. A MarketingDigital.com.br é um hub de troca de informações, com muito conteúdo próprio e de parceiros, glossário, guia de prestadores de serviços (agências e profissionais), agenda de cursos e eventos e tudo mais que se refira a Marketing Digital.

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